DONZELA

 Versão 02 – SP

 

1-Tinha eu vinte anos de idade

Quando amores comecei,

Foi tanta infelicidade

Tão pouco tempo gozei.

 

2-Eu namorava uma menina

Que era órfã, não tinha pai,

Era um anjo de beleza

Que mora com sua mãe.

 

3-Sua mãe não queria

Que a filha amores tivesse,

namorava às escondidas

Para que ninguém soubesse

 

4-Assim levamos nove meses

Nunca houve novidade

Ao findar nove meses,

Deu-lhe Deus uma enfermidade.

 

5-Era uma febre maligna

Chamada febre amarela,

E em vinte e quatro horas

Toma a morte posse dela.

 

6-Mandou chamar sua mãe

À cabeceira da cama,

E pediu-lhe com brandura,

Que deixasse se despedir do amor.

 

7-Sua mãe nada sabia,

Atarantada ficou,

Chamou sua criada

E tudo este lhe contou.

 

8-Vai, ó criada bendita,

Vai dizer àquele amante,

Que sua amada querida

Está muito delirante.

9-Quando a criada avistei,

Atarantado fiquei,

Pus o chapéu na cabeça

E a criada acompanhei.

 

10-Quando a sua casa avistei,

Porta e janela fechadas,

Disse comigo e Deus

-Já se foi a minha amada.

 

11-Entrei no quarto à dentro,

À sua cama encostei,

E ali naquele instante

Muitas lágrimas derramei.

 

12-Dai-me, dai-me um abraço

Antes que me coma a terra,

É o lucro que tu tiras

De tão infeliz donzela.

 

13-Dizendo estas palavras,

A cabecinha virou,

E ali naquele instante

A alma à Deus entregou.

 

14-Ó Morte, tirana Morte,

E de ti tenho mil queixas,

A quem deves deixar, levas,

A quem deves levar, deixas.

 

15-Eu mandei fazer o luto,

Do mais pesado que havia,

Quando olhava de cima a baixo,

O luto me entristecia.